
Autora: Ísis Zisels
A fêmea dança e por inteira dá-se.
Mas onde habita específica?
No corpo a transpirar mel e mirra através da quase inexistente organza?
Ou no próprio movimento a desenhar-se dionisiacamente na atmosfera?
Nos olhos de Artemis?
Num punhal disfarçado por entre os lábios que ameaçam, com um único riso, despencar uma Babilônia?
Na confusão dos ventos de Éolo, do modo mais subversivo, quando os cabelos flutuam e os dedos languidos, repletos de turquesa, seduzem?
Na cigana que se faz toda serpente, de repente, surgindo nova e vibrante?
Nas Amarílis rubis que ofertam os seios e coxas em cachos emaranhando-se por sobre o úmido mistério?
No Ceilão de onde vem a Canela?
No sabor dos fluidos, do ventre mouro?
Nos perigos das escarpas, das mucosas?
Nas terras intactas, desconhecidas, que resguardam a beleza?
No ato de revelar-se para todo o sempre, religiosamente, enquanto a música a penetra com vigor?
Eis que, num grito de fogo, feito Diana ao irromper da noite, infatigável, a mulher transborda-se...
E, como se rasgasse burcas invisíveis e renascesse do inferno, e de dentro de mim, faz-se adorar perante as sombras sob o nome de Ísis!
Mas onde habita específica?
No corpo a transpirar mel e mirra através da quase inexistente organza?
Ou no próprio movimento a desenhar-se dionisiacamente na atmosfera?
Nos olhos de Artemis?
Num punhal disfarçado por entre os lábios que ameaçam, com um único riso, despencar uma Babilônia?
Na confusão dos ventos de Éolo, do modo mais subversivo, quando os cabelos flutuam e os dedos languidos, repletos de turquesa, seduzem?
Na cigana que se faz toda serpente, de repente, surgindo nova e vibrante?
Nas Amarílis rubis que ofertam os seios e coxas em cachos emaranhando-se por sobre o úmido mistério?
No Ceilão de onde vem a Canela?
No sabor dos fluidos, do ventre mouro?
Nos perigos das escarpas, das mucosas?
Nas terras intactas, desconhecidas, que resguardam a beleza?
No ato de revelar-se para todo o sempre, religiosamente, enquanto a música a penetra com vigor?
Eis que, num grito de fogo, feito Diana ao irromper da noite, infatigável, a mulher transborda-se...
E, como se rasgasse burcas invisíveis e renascesse do inferno, e de dentro de mim, faz-se adorar perante as sombras sob o nome de Ísis!
Arte: KLIMT, Gustav. Judith II. 1909.



















